(Isso foi dia 21 de abril, mas só tive tempo agora)
Passando só para contar que ontem fui assistir "Alice no país das maravilhas", naquela tela maravilhosa do IMAX, que loucura aquilo!
Durante o trailer do Toy Story 3, eu pensei que todos aqueles brinquedos gigantes estavam espalhados no meio da plateia, ai que medo daquele Ken gigante...
Sobre o filme, nenhum pensamento muito elaborado, apenas o que deve ser o óbvio para todo mundo, o Chapeleiro Maluco é sem dúvida a 'coisa' mais legal do filme, mas dessa vez Depp encontrou uma boa concorrência. Helena Bonham Carter caprichou em sua interpretação de rainha vermelha, ela estava um barato com aquele cabeção, os gêmeos também ficaram tão perfeitinhos. Quem não deu muita sorte foi Anne
Hathaway, que pareceu assim meio sem direção, indo para lugar nenhum. A doçura não foi o suficiente para segurar o papel meigo dentro do universo obscuro de Tim Burton.
Uma outra coisa a destacar, é que o filme é uma livre, bem livre mesmo, adaptação do clássico de Lewis Carroll, portanto, não fique buscando aquilo que é igual...
Aliás um conselho e tanto para assistir obras adaptadas é: Não fique buscando o livro no filme, obras de arte têm vida própria, elas só precisam de um leitmotiv, que é o que o livro deve ser no geral.
As imagens são lindas mesmo, a trilha deixa muuuuuito a desejar: Avril Lavigne e Tokio Hotel? Oi! Hein?
Achei que quem for ver em um cinema normal, sem o maravilhoso efeito 3D vai ver exatamente o mesmo filme, deve ter rolado uma certa pressão por parte dos produtores para que Burton rodasse em 3D, porque tive a nítida impressão de que deu na mesma... Pena.
Mas é isso, bora ver a Cabeçuda, o Chapeleiro e a sem graça da Alice porque viajar com Tim Burton vale sempre a pena.
bom filme!
quarta-feira, 28 de abril de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Castração
Algo está realmente me deixando indignada.
Trabalho em uma empresa, a qual já utilizou meu e-mail pessoal como sendo o seu e-mail oficial da área de comunicação e, hoje, por ironia, ou seja lá que diabo for, eu não posso mais abrir este e-mail da máquina que a digníssima empresa me concede o prazer inenarrável de usar durante as oito horas que passo enfurnada dentro dela. Fato é que há alguns poucos meses a Internet foi quase que completamente bloqueada no meu local de trabalho, nada de blogs do uol, nem do blogspot, fotolog nem em sonho, twitter é coisa que a maioria aqui nem imagina o que seja, porém as pessoas que o bloquearam sabem bem o que é, apesar de parecerem ignorar para quê serve.
O twitter, uma das maiores revoluções em toda a história da Internet, não pode ser acessado no meu trabalho, isso porque eu trabalho em um local onde espera-se das pessoas que elas hajam como gado, sendo assim, todas foram contratadas para bater prego, nada além disso, bate-se prego das 9h às 18h, com um pequeno intervalo de uma hora para a ração diária, que não é servida pela empresa, que não dá nem mesmo ticket refeição para os pobres coitados que nela trabalham. É claro que a essa altura do campeonato você está se perguntando o que eu estou fazendo aqui neste muquifo, onde ainda há AI5. Pois é, tudo isso ainda é muito novo para mim, eu ainda estou naqueles momentos de transição em que a gente se vê estarrecido com uma situação e não sabe bem o que fazer, que atitude tomar, qual rumo dar à própria vida.
Eu estudei demais para aceitar uma regressão à censura.
Agora mesmo, acabei de digitar no google “censura”, eu queria uma definição exata, apareceu a Seguinte mensagem:
Caro usuário,
Você não tem permissão para acessar este site.
Caso tenha alguma dúvida entre em contato com o CTI através do OCOMON.
Grato,
E me dá vontade de chorar ler isso e pensar que eu dediquei tanto da minha vida a essa empresa, para agora não poder acessar um blog de um advogado famoso.A liberdade leva à informação e informação é tudo que gente que poda não quer que tenhamos, em uma era em que liberdade parece ser a palavra de ordem do sistema dominante, ninguém é livre. Eu detesto uma série de coisas próprias do funcionamento de uma empresa, mas a mais ridícula é a castração, principalmente por contar que poucos ou nenhum reclamarão, não reclamarão porque não sabem que a Ditadura se faz assim de fininho, como quem não quer nada, vem e te impede de gritar, de dizer, de agir e quando se vê, estamos como cães, moldados, condicionados, aluados...
“Censura é o uso pelo estado ou grupo de poder, no sentido de controlar e impedir a liberdade de expressão.”
Pense aí com seus botões no significado da definição acima, lembre-se, atente para aquilo que em sua vida quebra o contrato com o que a essência deste pensamento quer dizer e não aceite que regridam a isso. Deu tanto trabalho para nossos antepassados conseguirem um mínimo de liberdade, um Estado laico e livre, e agora me vem essa gente com essa presepada.
Houve na Rússia um camarada genial de verdade, que sonhava com liberdade, amor e paz, este camarada foi enganado por pessoas que abusaram de sua bondade, quando ele viu que havia o tempo todo lutado do lado do inimigo, ele pegou uma arma virou contra a própria cabeça e atirou, isso porque é melhor a morte do que a prisão. Você dirá que não estamos presos.
Então, ouse se retirar da empresa por uma hora sem avisar alguém, quando você voltar, terá uma trombeta do apocalipse formada à sua caça.
Abaixo um poema do camarada que era todo coração:
Despertar é preciso
Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.
Vladimir Maiakóvski
Trabalho em uma empresa, a qual já utilizou meu e-mail pessoal como sendo o seu e-mail oficial da área de comunicação e, hoje, por ironia, ou seja lá que diabo for, eu não posso mais abrir este e-mail da máquina que a digníssima empresa me concede o prazer inenarrável de usar durante as oito horas que passo enfurnada dentro dela. Fato é que há alguns poucos meses a Internet foi quase que completamente bloqueada no meu local de trabalho, nada de blogs do uol, nem do blogspot, fotolog nem em sonho, twitter é coisa que a maioria aqui nem imagina o que seja, porém as pessoas que o bloquearam sabem bem o que é, apesar de parecerem ignorar para quê serve.
O twitter, uma das maiores revoluções em toda a história da Internet, não pode ser acessado no meu trabalho, isso porque eu trabalho em um local onde espera-se das pessoas que elas hajam como gado, sendo assim, todas foram contratadas para bater prego, nada além disso, bate-se prego das 9h às 18h, com um pequeno intervalo de uma hora para a ração diária, que não é servida pela empresa, que não dá nem mesmo ticket refeição para os pobres coitados que nela trabalham. É claro que a essa altura do campeonato você está se perguntando o que eu estou fazendo aqui neste muquifo, onde ainda há AI5. Pois é, tudo isso ainda é muito novo para mim, eu ainda estou naqueles momentos de transição em que a gente se vê estarrecido com uma situação e não sabe bem o que fazer, que atitude tomar, qual rumo dar à própria vida.
Eu estudei demais para aceitar uma regressão à censura.
Agora mesmo, acabei de digitar no google “censura”, eu queria uma definição exata, apareceu a Seguinte mensagem:
Caro usuário,
Você não tem permissão para acessar este site.
Caso tenha alguma dúvida entre em contato com o CTI através do OCOMON.
Grato,
E me dá vontade de chorar ler isso e pensar que eu dediquei tanto da minha vida a essa empresa, para agora não poder acessar um blog de um advogado famoso.A liberdade leva à informação e informação é tudo que gente que poda não quer que tenhamos, em uma era em que liberdade parece ser a palavra de ordem do sistema dominante, ninguém é livre. Eu detesto uma série de coisas próprias do funcionamento de uma empresa, mas a mais ridícula é a castração, principalmente por contar que poucos ou nenhum reclamarão, não reclamarão porque não sabem que a Ditadura se faz assim de fininho, como quem não quer nada, vem e te impede de gritar, de dizer, de agir e quando se vê, estamos como cães, moldados, condicionados, aluados...
“Censura é o uso pelo estado ou grupo de poder, no sentido de controlar e impedir a liberdade de expressão.”
Pense aí com seus botões no significado da definição acima, lembre-se, atente para aquilo que em sua vida quebra o contrato com o que a essência deste pensamento quer dizer e não aceite que regridam a isso. Deu tanto trabalho para nossos antepassados conseguirem um mínimo de liberdade, um Estado laico e livre, e agora me vem essa gente com essa presepada.
Houve na Rússia um camarada genial de verdade, que sonhava com liberdade, amor e paz, este camarada foi enganado por pessoas que abusaram de sua bondade, quando ele viu que havia o tempo todo lutado do lado do inimigo, ele pegou uma arma virou contra a própria cabeça e atirou, isso porque é melhor a morte do que a prisão. Você dirá que não estamos presos.
Então, ouse se retirar da empresa por uma hora sem avisar alguém, quando você voltar, terá uma trombeta do apocalipse formada à sua caça.
Abaixo um poema do camarada que era todo coração:
Despertar é preciso
Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.
Vladimir Maiakóvski
sexta-feira, 26 de março de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
Adeus Mindlin...
Eu não vim de uma família de leitores, talvez por isso o primeiro livro tenha sido um presente cheio de mistério. Havia uma torcida de duas pessoas para que eu gostasse “daquilo”, eu era muito pequena ainda. O nome do livro era “O Caracol”, eu devia ter em torno de três, quatro anos, já tinha contato com livros na escolinha... O Caracol dava conta da história de um caracol solitário que tinha que carregar toda a sua vida nas costas, infelizmente, eu perdi o livro, ou minha avó deu ele para alguém. Mas uma coisa ficou, eu tenho mania de carregar minha vida dentro de uma enorme bolsa, e todas as vezes que eu pego minha bolsa, eu penso: estou parecendo uma mulher caracol, que carrega a vida nas costas, que nem o caracolzinho do livro. O fato é que eu gostei demais de livros, vieram outros, minha tia fazia até crediário para comprar livro na Saraiva, ela achava lindo eu gostar de ler, cada livro era uma descoberta, um universo de possibilidades. Como o dinheiro não dava para comprar todos os livros, fizemos uma carteirinha na Biblioteca da Penha, então eu podia pegar dois livros por semana lá. Bons tempos...O tempo passou e vieram outros autores pelos quais eu viria a me apaixonar.A primeira grande paixão literária foi O pequeno príncipe, que eu releio todos os anos para não me esquecer de como é bom ser simples e ingênuo.Vieram outras paixões avassaladoras, Machado de Assis comecei a ler sem parar assim que entrei na universidade. Memórias Póstumas... Dom Casmurro e, o meu preferido, Quincas Borba, depois vieram os contos machadianos. Depois de Machado, buscando todas as influências possíveis e imagináveis do ídolo, me apaixonei, assim como ele, por Stendhal. Depois vieram Dostoiévski, Guimarães Rosa, Clarice Lispector e uma longa lista de gente de tudo quanto é lugar, Jane Austen, Albert Camus etc. Então foi a vez da poesia, apresentada de uma forma única pela Viviana Bosi, minha doce professora de Introdução aos Estudos Literários... Pois é, a paixão foi tanta e tão impossível de segurar que eu fui fazer Letras lá na USP, onde eu encontrei um monte de gente muito parecida comigo, inclusive ídolos de ouro que me olham no olho. Alfredo Bosi, Antonio Candido, Alcides Villaça, Boris Schnaiderman, Aurora Bernardini...Os meus preferidos são certamente Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Machado de Assis, Dostoievski, Anton Tchekhov e Carlos Drummonde de Andrade, mas são muitos outros os que me agradam, os que me surpreendem.Foi assim, numa dessas andanças atrás da fortuna crítica e de obras raras de Guimarães Rosa que esbarrei numa figurinha mágica, José Mindlin, filho de ucranianos (as figuras russas e ucranianas estão sempre a rondar minha vida). Uma pessoa incrível que fez de sua biblioteca o grande amor da sua vida, uma vida dedicada a buscar obras raras. A surpresa ao descobrir Mindlin só não foi maior que a que eu tive ao descobrir o segredo de Diadorim. Esse encanto de pessoa, apaixonado pela vida, abnegado e consciente (deixa-nos de presente, na USP, boa parte de seu imenso acervo) nos deixou no dia 28 de fevereiro. Ele gostava de dizer que não queria viver em um mundo onde não houvesse livros, pego de empréstimo a frase e a faço minha por um instante, pois, de “O Caracol” até aqui, toda a minha vida foi transformada pelos livros, pelas vidas e ensinamentos contidos em cada obra que li.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Um outro...

E de repente o mundo inteiro vira dois...Tem um outro que te olha no olho e te chama de linda ao acordar com aqueles cabelos bagunçados, suados, embaraçados; com olhos borrados de rímel da noite anterior, com a pele do rosto num branco profundo, no qual não há nenhum sinal do blush da noite passada. As máscaras da noite, das fantasias próprias da boemia, derretem assim que o sol nasce, mas aquele outro que dorme ao lado acha lindo poder ver a mulher que acorda pós-festa sem sua máscara. A palavra “linda” surge entre sussurros e suspiros a cada hora, menos até...
Passam algumas horas e o encanto continua e vai num crescente para algum lugar, a graça é não ter importância a direção, antes tinha, agora faço questão que não tenha... Estamos no mundo para voar. Lançar-se de cabeça, não é do feitio, mas é possível fazer algo totalmente inesperado, ir na direção em que corre o rio...
Não há ordem nenhuma em amar, é um caos completo, as pernas batem nos móveis, as cabeças funcionam em descompasso, os dentes fazem uma estranha fricção no dente do outro, as coisas ainda estão se adequando...
O telefone toca, os sms são mandados a toda hora do dia e você anseia por recebê-los. São horas de olhares, de cumplicidade, são cúmplices de algo que nasce e passam a observar a coisa crescendo, se moldando, se ajeitando. E tudo é tão diferente, é como se nada disso tivesse acontecido antes.Tudo aquilo tão estranho para todos é lindo, é admirado, é esperado...
As piadas inteligentes e sem graça para muitos encontram finalmente um receptor, que não só as entende, como sabe dialogar a respeito delas.
O Machado, Dostoievski e Tchekhov embaixo da cama tornam-se objeto de admiração e tudo o mais que são sustos para todos os outros são agora gratas surpresas para o outro que me espreita.
Um lugar improvável, uma noite comum, entre luzes e sons, com amigos desvanecentes e irmãs uterinas surgiu alguém que não é nada disso, é uma outra coisa que eu ainda não sei o nome porque eu nunca experimentei nada assim e me veio agora uma citação da eterna intérprete de tudo aquilo que vai por dentro de mim (Clarice Lispector): “Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento”.
Sobre a imagem: "O Beijo", escultura em mármore de Auguste Rodin.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Meninos e Meninas
E é sempre a mesma ladainha...
Menina conhece menino. Menino pega o telefone da menina. Combinam de sair, duas, três vezes no máximo. Ele é sempre bobo, vivendo no mundo como se tudo isso aqui fosse uma festa que nunca vai ter fim...
Tem a outra possibilidade, às vezes, os meninos não ligam mesmo e nem pedem o tal telefone. Quando a resposta para o que ele faz da vida é: Sou formado em educação física... daí a coisa desanda mesmo.
- Boa noite, foi muito bom te conhecer, nos encontramos por aí!
Diversas coisas estranhas acontecem, meninos que dizem que vão a lugares nos quais nunca comparecerão, meninos que ficam desesperados por você por uma semana até obterem aquilo que desejam... O nome me veio à boca agora, mas mantenhamos o nível, afinal eu estava lendo Clarice Lispector agora mesmo, mestre em dizer as coisas da maneira mais doce possível. A mulher mais pequenina do mundo, por exemplo, ao ver o caçador, se coça em um lugar no qual não deveria coçar... Entende a sutileza?
Eu, obviamente, não sou Clarice, mas é um bom plano tê-la como meta de escrita.
Mas nesse vai e vem, neste burburinho de meninos e meninas, sem essa nem aquela, aparecem bons meninos, raros meninos, meninos doces, constrangidos, que balançam nossa mão de maneira inocente, que desviam o olhar quando encarados, que pegam telefone, msn, twitter, facebook e, quando chegam em casa, tratam logo de adicionar, ou seguir, a menina em tudo isso.
Pois é, meninos assim existem!
Porque nessa interminável dança das cadeiras é sempre tudo a mesma coisa, isso cansa um pouco, a gente fica escolada, esperta demais para os meninos e é aí que reside o problema de não se ter mais 20 anos, por isso tantos rapazes preferem as menos experientes, as fáceis de enrolar, as que não viveram ainda, sempre com aquele ar de fragilidade que homens, seres tão frágeis, gostam tanto.
Como apaixonar-se por alguém sem este ar, alguém que absolutamente não precisa mais ser protegido?
Acredite, há meninos que adoram meninas espertas, inteligentes, independentes e com apenas um tantinho de fragilidade, afinal, todos nós guardamos alguma fragilidade, algo que dói, que machuca, ou que simplesmente tememos.
Destes tantos meninos, alguns se tornam amigos, bons amigos e, de repente, nos tornamos amigas até de suas frágeis namoradas. Nasce uma amizade onde menos se espera, afinal a bobagem que o tornava incapaz de se transformar na coisa amada é totalmente compreensível dentro dos laços de amizade. Porque amizade é assim: compreensão, gostar sem fronteiras, abraço apertado de saudade verdadeira.
Ainda que às vezes seja cansativo brincar deste jogo, não se pode evitar a brincadeira, ela nos traz de volta à vida, ela dá sentido, completa algo que falta, o tum tum do coração. O coração a ponto de ser cuspido, de tanto que não cabe no peito. Os sobressaltos a cada barulhinho do celular... Ainda que na maioria das vezes tudo isso acabe em flor murcha, é divertido ficar esperando para ver onde a brincadeira vai dar, é gostoso criar falsas expectativas.
A única coisa da qual sinto falta é a ingenuidade, de realmente acreditar e esperar, aguardar silenciosamente porque acredito. Eu não acredito e por isso não espero, eu faço a coisa toda acontecer ou simplesmente faço logo que não aconteça de uma vez, o que deve assustar demais os bobos... Então, às vezes, tenho que me fazer de rogada e fazer a inocente... Pelo menos para não dar um susto.
Porque eu carrego comigo uma sequência grandiosa de sustos, é o Machado de Assis embaixo da cama, é o falar russo, é o qualificar as pessoas em aptas a ler Dostoiévski ou não, são as músicas melancólicas ou a clássica, são as baladas constantes.
Mas o grande problema mesmo comigo, o que certamente mais apavora homens e mulheres é que eu sou livre, o meu grande problema é eu ser livre... Outra vez Clarice.
Pensa aí consigo na palavra liberdade, no que isso quer dizer para uma mulher de 20 e muitos anos...
Um exemplo simples: Você me conta um caso sobre uma patricinha, que tem seu maravilhoso tênis super caro roubado, ao final da história, você conclui que tudo é um absurdo e que não existe mais segurança em lugar algum e olha para mim com olhar inquiridor, querendo a minha concordância.
Mas, de repente, eu vou olhar para você e dizer que entendo completamente o ladrão e você achará que eu estou completamente maluca, e eu direi que não há necessidade de andar com um tênis que custe mais que um salário mínimo porque tem gente que vive com um único salário mínimo... Este tênis é uma afronta.
Daí você deve estar se perguntando onde fica a liberdade da menina de poder usar seu tênis em paz, eu respondo: É preciso lutar pela liberdade, é preciso ter argumentos, fundamentos para fazer a sua liberdade valer, é preciso compreender o mundo em que se vive.
Mas tudo isso para mostrar de que liberdade eu falo, a liberdade de descordar da massa, a liberdade de relativizar muita coisa... Afinal, o Machado de Assis embaixo da cama não é à toa.
Pois é, eu sou desse tipo de menina, uma confusão...
Ainda que não me agrade muito um certo tipo de meninos e meninas, eu sei que cada coisa vem a seu tempo, para uns não vem nunca, por incompetência mesmo, mas as transformações, os entendimentos vêm em tempos diversos para cada um de nós, e o bobo e a frágil de hoje virão a se transformar em seres humanos formidáveis em um outro tempo. E, com formidável, não quero absolutamente dizer que se transformarão em seres próximos de mim, porque eu sou uma bagunça, eu gosto do velho, do antigo, das sensações primeiras, como diz Rodrigo Amarante: Eu gosto é do gasto!
Cada um há de achar aquilo que o fará feliz e não há nada mais formidável do que a felicidade!
Ao som de Clair de Lune de Claude Debussy
Menina conhece menino. Menino pega o telefone da menina. Combinam de sair, duas, três vezes no máximo. Ele é sempre bobo, vivendo no mundo como se tudo isso aqui fosse uma festa que nunca vai ter fim...
Tem a outra possibilidade, às vezes, os meninos não ligam mesmo e nem pedem o tal telefone. Quando a resposta para o que ele faz da vida é: Sou formado em educação física... daí a coisa desanda mesmo.
- Boa noite, foi muito bom te conhecer, nos encontramos por aí!
Diversas coisas estranhas acontecem, meninos que dizem que vão a lugares nos quais nunca comparecerão, meninos que ficam desesperados por você por uma semana até obterem aquilo que desejam... O nome me veio à boca agora, mas mantenhamos o nível, afinal eu estava lendo Clarice Lispector agora mesmo, mestre em dizer as coisas da maneira mais doce possível. A mulher mais pequenina do mundo, por exemplo, ao ver o caçador, se coça em um lugar no qual não deveria coçar... Entende a sutileza?
Eu, obviamente, não sou Clarice, mas é um bom plano tê-la como meta de escrita.
Mas nesse vai e vem, neste burburinho de meninos e meninas, sem essa nem aquela, aparecem bons meninos, raros meninos, meninos doces, constrangidos, que balançam nossa mão de maneira inocente, que desviam o olhar quando encarados, que pegam telefone, msn, twitter, facebook e, quando chegam em casa, tratam logo de adicionar, ou seguir, a menina em tudo isso.
Pois é, meninos assim existem!
Porque nessa interminável dança das cadeiras é sempre tudo a mesma coisa, isso cansa um pouco, a gente fica escolada, esperta demais para os meninos e é aí que reside o problema de não se ter mais 20 anos, por isso tantos rapazes preferem as menos experientes, as fáceis de enrolar, as que não viveram ainda, sempre com aquele ar de fragilidade que homens, seres tão frágeis, gostam tanto.
Como apaixonar-se por alguém sem este ar, alguém que absolutamente não precisa mais ser protegido?
Acredite, há meninos que adoram meninas espertas, inteligentes, independentes e com apenas um tantinho de fragilidade, afinal, todos nós guardamos alguma fragilidade, algo que dói, que machuca, ou que simplesmente tememos.
Destes tantos meninos, alguns se tornam amigos, bons amigos e, de repente, nos tornamos amigas até de suas frágeis namoradas. Nasce uma amizade onde menos se espera, afinal a bobagem que o tornava incapaz de se transformar na coisa amada é totalmente compreensível dentro dos laços de amizade. Porque amizade é assim: compreensão, gostar sem fronteiras, abraço apertado de saudade verdadeira.
Ainda que às vezes seja cansativo brincar deste jogo, não se pode evitar a brincadeira, ela nos traz de volta à vida, ela dá sentido, completa algo que falta, o tum tum do coração. O coração a ponto de ser cuspido, de tanto que não cabe no peito. Os sobressaltos a cada barulhinho do celular... Ainda que na maioria das vezes tudo isso acabe em flor murcha, é divertido ficar esperando para ver onde a brincadeira vai dar, é gostoso criar falsas expectativas.
A única coisa da qual sinto falta é a ingenuidade, de realmente acreditar e esperar, aguardar silenciosamente porque acredito. Eu não acredito e por isso não espero, eu faço a coisa toda acontecer ou simplesmente faço logo que não aconteça de uma vez, o que deve assustar demais os bobos... Então, às vezes, tenho que me fazer de rogada e fazer a inocente... Pelo menos para não dar um susto.
Porque eu carrego comigo uma sequência grandiosa de sustos, é o Machado de Assis embaixo da cama, é o falar russo, é o qualificar as pessoas em aptas a ler Dostoiévski ou não, são as músicas melancólicas ou a clássica, são as baladas constantes.
Mas o grande problema mesmo comigo, o que certamente mais apavora homens e mulheres é que eu sou livre, o meu grande problema é eu ser livre... Outra vez Clarice.
Pensa aí consigo na palavra liberdade, no que isso quer dizer para uma mulher de 20 e muitos anos...
Um exemplo simples: Você me conta um caso sobre uma patricinha, que tem seu maravilhoso tênis super caro roubado, ao final da história, você conclui que tudo é um absurdo e que não existe mais segurança em lugar algum e olha para mim com olhar inquiridor, querendo a minha concordância.
Mas, de repente, eu vou olhar para você e dizer que entendo completamente o ladrão e você achará que eu estou completamente maluca, e eu direi que não há necessidade de andar com um tênis que custe mais que um salário mínimo porque tem gente que vive com um único salário mínimo... Este tênis é uma afronta.
Daí você deve estar se perguntando onde fica a liberdade da menina de poder usar seu tênis em paz, eu respondo: É preciso lutar pela liberdade, é preciso ter argumentos, fundamentos para fazer a sua liberdade valer, é preciso compreender o mundo em que se vive.
Mas tudo isso para mostrar de que liberdade eu falo, a liberdade de descordar da massa, a liberdade de relativizar muita coisa... Afinal, o Machado de Assis embaixo da cama não é à toa.
Pois é, eu sou desse tipo de menina, uma confusão...
Ainda que não me agrade muito um certo tipo de meninos e meninas, eu sei que cada coisa vem a seu tempo, para uns não vem nunca, por incompetência mesmo, mas as transformações, os entendimentos vêm em tempos diversos para cada um de nós, e o bobo e a frágil de hoje virão a se transformar em seres humanos formidáveis em um outro tempo. E, com formidável, não quero absolutamente dizer que se transformarão em seres próximos de mim, porque eu sou uma bagunça, eu gosto do velho, do antigo, das sensações primeiras, como diz Rodrigo Amarante: Eu gosto é do gasto!
Cada um há de achar aquilo que o fará feliz e não há nada mais formidável do que a felicidade!
Ao som de Clair de Lune de Claude Debussy
sábado, 9 de janeiro de 2010
Escolhas
Difícil fazer escolhas...
Será que é a melhor, ou a pior? Eu me arrependerei?
É bem provável que tenhamos arrependimentos e melhorias ao tomar uma decisão.
Uma escolha nunca é plena de acerto nem de erro, abrimos mão de algumas coisas por querer outras e, às vezes, aquelas coisas que deixamos partir nos faz falta por algum motivo. Enfim, faz parte!
Viver é escolher, escolhemos sempre, o tempo todo. Outro dia assisti um episódio de Doutor House em que uma garota teve uma doença que por um instante a impossibilitou de escolher, não conseguia, não podia escolher porque qualquer coisa estava errada com o cérebro dela. Imagine a vida sem poder fazer escolhas.
Eu não posso imaginar, a gente gosta tanto de escolher e sempre ficamos tão chateados quando algum espertinho se mete a fazer nossas escolhas.
Eu escolhi ser feliz.
Escolhi não depender de ninguém até o tanto que é possível.
Escolhi que meu horário predileto para coisas do espírito é a manhã.
Escolhi não comer carne porque acho nojento.
Escolhi estudar na USP.
Escolhi fazer Letras, o que diz muito de mim, porque coloquei a felicidade em primeiro lugar. Só que seres mágicos que rondam a minha vida conspiraram para que a minha felicidade resultasse em ganhos também.
Escolhi que ler é a melhor coisa do mundo...
E só foi possível escolher tudo isso entre tantas outras coisas porque eu fiz uma grande escolha, a de me escolher como ser humano, decidi que minha vida está em primeiro lugar.
Às vezes, eu penso nas coisas que deixei para trás ao fazer minhas escolhas, mas não me arrependo. Nem sempre faço as escolhas certas, mas quero viver de um modo que, ao final da minha vida, em algum lugar esteja escrito:
"ELA VIVEU DA MANEIRA QUE QUIS"
Será que é a melhor, ou a pior? Eu me arrependerei?
É bem provável que tenhamos arrependimentos e melhorias ao tomar uma decisão.
Uma escolha nunca é plena de acerto nem de erro, abrimos mão de algumas coisas por querer outras e, às vezes, aquelas coisas que deixamos partir nos faz falta por algum motivo. Enfim, faz parte!
Viver é escolher, escolhemos sempre, o tempo todo. Outro dia assisti um episódio de Doutor House em que uma garota teve uma doença que por um instante a impossibilitou de escolher, não conseguia, não podia escolher porque qualquer coisa estava errada com o cérebro dela. Imagine a vida sem poder fazer escolhas.
Eu não posso imaginar, a gente gosta tanto de escolher e sempre ficamos tão chateados quando algum espertinho se mete a fazer nossas escolhas.
Eu escolhi ser feliz.
Escolhi não depender de ninguém até o tanto que é possível.
Escolhi que meu horário predileto para coisas do espírito é a manhã.
Escolhi não comer carne porque acho nojento.
Escolhi estudar na USP.
Escolhi fazer Letras, o que diz muito de mim, porque coloquei a felicidade em primeiro lugar. Só que seres mágicos que rondam a minha vida conspiraram para que a minha felicidade resultasse em ganhos também.
Escolhi que ler é a melhor coisa do mundo...
E só foi possível escolher tudo isso entre tantas outras coisas porque eu fiz uma grande escolha, a de me escolher como ser humano, decidi que minha vida está em primeiro lugar.
Às vezes, eu penso nas coisas que deixei para trás ao fazer minhas escolhas, mas não me arrependo. Nem sempre faço as escolhas certas, mas quero viver de um modo que, ao final da minha vida, em algum lugar esteja escrito:
"ELA VIVEU DA MANEIRA QUE QUIS"
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