Não é que ontem parecia que o mundo ia acabar mesmo.
À tarde uma amiga recebeu uma carta estranha, com um criptograma que dava no número da Besta... Eu nem dei bola, mas foi mesmo um dia estranho.
Aconteceu uma pequena coisa que tornou o meu dia melhor, o que me deixou muito contente.
Mas isso foi só até o final da minha última aula, imagina que eu moro na Zona Leste e estudo na Zona Oeste... USP, sim... lá mesmo. Imagine agora que a eu estava lá na USP quando o Brasil apagou.
Chegando na Paulista, a porta do Metrô Consolação era um mar de gente desesperada, todo mundo ligando para alguém vir socorrer, eu só pensava em Creep do Radiohed, porque eu nunca tinha me sentido tão perdida, no sentido físico, como ontem à noite. Eu nem tinha alguém para "vir me pegar".
Chegar em casa foi uma novela... Cheguei bem, mas fiquei com muito medo pelo que ainda está por vir. O mundo, de fato, não vai acabar, mas coisas estranhas vão passar a acontecer com tanta frequência, até que, num triste dia, deixarão de ser estranhas e passarão a ser cotidiano. Igual à bala perdida no Rio, menino pedindo dinheiro no semáforo, gente pegando comida no lixo, eu sempre me pergunto em que momento da vida ou da história as pessoas passaram a olhar fenômenos de uma época, ou até mesmo desgraças cotidianas como cotidiano...
Anteontem, eu reli As três irmãs, do Tchekhov, e fiquei me lembrando do quanto ele afirmava, sempre, em todas as suas peças, que o trabalho das pessoas daquela época seria visto como algo maravilhoso: Daqui cem ou duzentos anos. Ele dizia que o mundo se tornaria um lugar maravilhoso... O que nós fizemos com os sonhos do Tchekhov?
O mundo não é um lugar maravilhoso, e a metamoforse do anormal em cotidiano, que tanto apavorava o autor, tornou-se algo muito mais banal do que ele tinha imaginado...
Nos shows que faria em julho passado, Michael Jackson queria mostrar ao mundo que nós temos apenas quatro anos para mudar nossas escolhas com relação ao futuro do planeta, pois em quatro anos, segundo estudiosos, os danos serão irreversíveis...
Tanta gente dizendo a mesma coisa... Já é hora de prestarmos atenção, não?
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Adeus Claude Levi-Strauss

Hoje, parece óbvio que somos todos iguais...
Há alguns anos, não parecia e nem era tão óbvio, na verdade a obviedade dessa afirmação, hoje tão comum, só é possível porque este ilustre senhor aí ao lado disse isso de maneira bem estruturada e elaborada pela primeira vez na história.
Ele disse aquilo que todos deveríamos saber, um ser humano na África tem o mesmo potencial de um americano, por exemplo. Hoje, há quem não concorde com sua tese integralmente e há realmente uma série de fatores que separam um africano de um americano... Mas, sem entrar no mérito da questão, só queria agradecer o magnífico antropólogo por contribuir para um mundo melhor, por criar a minha querida faculdade, da qual só sairei de bengalinha... se Deus quiser.
Tem gente que passa por este mundo assim, como um nada e não faz nada de incrível em sua existência, e há homens como Levi-Strauss que transformam este mundo em lugar mais habitável, não por um dia... mas para todo o sempre!
domingo, 25 de outubro de 2009
Os anos desfeitos...
É, hoje comemoro mais um ano desfeito... e muito bem aproveitado por sinal.
Tive um ano incrível, cercada por gente maravilhosa, fiz amigos inesquecíveis, aprendi coisas novas. Hoje sei mais sobre mim do que sabia há um ano, uma conquista, se conhecer melhor é sempre um presente...
Sei mais daquilo que gosto e daquilo que não gosto.
Sêneca dizia que não temos a idade feita e sim os anos vindouros...
Verdade.
Não "tenho" 29 anos hoje, me desfiz deles...
Tenho pela frente todos os anos que me forem concedidos, porque esses 29 eu não tenho mais.
Tem dois anos que estou correndo atrás de um tempo perdido. Agora, acredito que recuperei o tempo perdido sim... Não tenho mais a sensação de que perdi muitas coisas por causa dos anos de estagnação e paralisia.
Amanheci com a sensação de que tenho toda a vida pela frente, uma vida inteira significa que eu posso fazer do meu amanhã aquilo que bem entender. Como eu gosto de dizer, eu não vim para este mundo a passeio, logo, já faz um tempo que minha vida tem um vivo propósito...
Ainda penso em melhorar o mundo de alguma maneira. Mas, não vou mentir, há dias que eu só desejo sair daqui com a minha dignidade.
Oscilo entre um ponto e outro, mas sem perder de vista aquilo que eu desejo...
Obrigada a todos os queridos que fizeram do meu ano um ano maravilhoso e transformaram meus dias vazios em acontecimentos cheios de felicidades...
Tive um ano incrível, cercada por gente maravilhosa, fiz amigos inesquecíveis, aprendi coisas novas. Hoje sei mais sobre mim do que sabia há um ano, uma conquista, se conhecer melhor é sempre um presente...
Sei mais daquilo que gosto e daquilo que não gosto.
Sêneca dizia que não temos a idade feita e sim os anos vindouros...
Verdade.
Não "tenho" 29 anos hoje, me desfiz deles...
Tenho pela frente todos os anos que me forem concedidos, porque esses 29 eu não tenho mais.
Tem dois anos que estou correndo atrás de um tempo perdido. Agora, acredito que recuperei o tempo perdido sim... Não tenho mais a sensação de que perdi muitas coisas por causa dos anos de estagnação e paralisia.
Amanheci com a sensação de que tenho toda a vida pela frente, uma vida inteira significa que eu posso fazer do meu amanhã aquilo que bem entender. Como eu gosto de dizer, eu não vim para este mundo a passeio, logo, já faz um tempo que minha vida tem um vivo propósito...
Ainda penso em melhorar o mundo de alguma maneira. Mas, não vou mentir, há dias que eu só desejo sair daqui com a minha dignidade.
Oscilo entre um ponto e outro, mas sem perder de vista aquilo que eu desejo...
Obrigada a todos os queridos que fizeram do meu ano um ano maravilhoso e transformaram meus dias vazios em acontecimentos cheios de felicidades...
terça-feira, 13 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Diálogos do Cotidiano
- Oh mano, você ainda tá namorando?
- Eu tô, fielzão... gosto pra caraio da minha mina.
- Legal!
- E você, tá namorando?
- Ah mano, eu tô né.
- Tá namorando sério ou continua pegando todas mina que aparece?
- Vixi mano, nem te conto, semana passada fui pro motel com uma mina aí, e fui assaltado...
- Mano, você não toma vergonha mesmo, não aprende... então não namora, porque eu posso até ser mó chifrudo, mas eu tô fazendo minha parte. Mas e daí levaram o que?
- O filho da puta levou 30 conto meu e sumiu.
- Você viu a cara dele?
- Claro que vi, ele tava na minha frente.
- Ele era preto? Porque bandido é tudo preto.
- Pior que não, o cara nem era preto.
- E a mina? Ficou com medo?
- Ah sei lá daquela arrombada... que se dane!
- Por que você trai sua namorada? Você gosta dela não é?
- Mano, porque eu sou homem cara! E a mina queria dar pra mim, porque eu não ia comer?
- É né? tem dessas. Ainda bem que eu não penso assim. E aquela mina que você catava? Você chegou a comer ela?
- Puta! Nem comi cara...
- Mas quase comeu né? Viu a "menina" e tudo, pelo menos né? Porque a mina é mó gostosa, que pernas!
- A claro que vi a "menina", nossa fiz um monte de coisa com ela, a gente só não terminou porque ela não é assim uma vagabunda né?
No Gênesis está escrito mais ou menos assim: "O número dos tolos é infinito."
Pobre povo sagrado, nem podia imaginar como a coisa ia piorar.
"Quanto mais refinada uma pessoa se torna, mais infeliz ela é"
Anton Tchékhov
- Eu tô, fielzão... gosto pra caraio da minha mina.
- Legal!
- E você, tá namorando?
- Ah mano, eu tô né.
- Tá namorando sério ou continua pegando todas mina que aparece?
- Vixi mano, nem te conto, semana passada fui pro motel com uma mina aí, e fui assaltado...
- Mano, você não toma vergonha mesmo, não aprende... então não namora, porque eu posso até ser mó chifrudo, mas eu tô fazendo minha parte. Mas e daí levaram o que?
- O filho da puta levou 30 conto meu e sumiu.
- Você viu a cara dele?
- Claro que vi, ele tava na minha frente.
- Ele era preto? Porque bandido é tudo preto.
- Pior que não, o cara nem era preto.
- E a mina? Ficou com medo?
- Ah sei lá daquela arrombada... que se dane!
- Por que você trai sua namorada? Você gosta dela não é?
- Mano, porque eu sou homem cara! E a mina queria dar pra mim, porque eu não ia comer?
- É né? tem dessas. Ainda bem que eu não penso assim. E aquela mina que você catava? Você chegou a comer ela?
- Puta! Nem comi cara...
- Mas quase comeu né? Viu a "menina" e tudo, pelo menos né? Porque a mina é mó gostosa, que pernas!
- A claro que vi a "menina", nossa fiz um monte de coisa com ela, a gente só não terminou porque ela não é assim uma vagabunda né?
No Gênesis está escrito mais ou menos assim: "O número dos tolos é infinito."
Pobre povo sagrado, nem podia imaginar como a coisa ia piorar.
"Quanto mais refinada uma pessoa se torna, mais infeliz ela é"
Anton Tchékhov
domingo, 27 de setembro de 2009
A cena independente...
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Sexta-feira foi um arraso!
A edição de setembro da festa Bang! foi sensacional...
Blood Shake destruiu com um set pesado para ninguém botar defeito, como gostamos de dizer “eles desceram a lenha”.
Fizeram um set super bem humorado, cheio de anos 90, maximal e o famoso funk sempre presente nas apresentações da dupla. Laka e Zero destruíram mais uma vez e não é por acaso que a partir da próxima edição a festa ocupará todo o Vegas, não mais apenas o basement, se bem que eu desconfio que do basement eu não saio por nada... Afinal, é onde Zero e Laka tocarão.
Tenho encontro marcado com a dupla logo menos, já que eles são os convidados super especiais para edição de outubro da It’s alive, a festa que já começou como um sucesso e segue os passos da famosa festa Crew da promoter e dj Lalai. Tem tudo para ser, se já não é, uma das melhores festa da cidade.
Muito bom saber que tem tanta gente boa fazendo música de maneira independente. Gosto de pensar que nós consumimos o que a maioria não consome, quando digo “nós”, me refiro ao tantos, que como eu, admiram o trabalho independente, gostam de como ele é feito e principalmente de como é divulgado.
Sabemos que tudo é bom e que um dia passa a ser produzido em escala comercial teve um início bem modesto. Às vezes é só a coragem de alguém muito capaz, mas que ainda desconhece sua capacidade, de criar, de colocar uma série de pensamentos em prática. Alguém em um quarto qualquer em um cantinho da cidade, seja na Zona Leste, ou onde quer que seja, um indivíduo com uma idéia na cabeça se senta e busca meios de colocar seus pensamentos em ação.
É assim que nasce a maioria das grandes ideias, da vontade de uma pessoa.
Essa talvez seja a aptidão mais interessante do ser humano, a capacidade que tem de produzir e mudar o mundo à sua volta com pequenos feitos.
De início, somos tachados de estranhos. Somos os fulanos que curtimos um som diferente, num inferninho, apreciamos aquilo que pouca gente sabe que existe, então saímos do inferninho e partimos para os grandes lugares, aqueles de projeção nacional, muitas vezes mundial. Então, já não somos estranhos, passamos a ser apenas mais um. Somos mais um a gostar daquilo que todos gostam.
Acho muito engraçado o fato de que justamente nessa etapa, quando finalmente chega o reconhecimento, perdemos o interesse...
Sabe por que perdemos o interesse?
Porque nós sempre soubemos que aquilo era bom, nós víamos além. Ficamos felizes pela descoberta do resto do mundo, torcemos pelos nossos queridos que alçam vôos maiores, mas quando aquilo que amamos torna-se um produto a ser consumido por muitos, torna-se pasteurizado, nós simplesmente procuramos algo novo para amar...
Somos conhecidos como estranhos, nerds, descolados, geeks, undergrounds, alternativos... Procuram vários rótulos para nos intitular, mas a verdade é que não temos rótulo, nós somos apreciadores daquilo que é novo, daquilo que guarda a fagulha de coisa mágica, daquilo que mostrar que o ser humano é capaz de se sobressair mesmo dentro de um sistema que o sufoca.
Lembro agora do termo utilizado por Ezra Pound, o artista era para ele “a antena da raça”, ele era fascista, por isso falava nestes termos, mas mesmo estando equivocado, como a história provou, ele sabia sobre o que estava falando quando o assunto era arte.
E eu adoro pensar que eu, juntamente com meus amigos “diferentes”, podemos reconhecer estas anteninhas por aí...
Em um filme maravilhoso, Amadeus, que conta a trágica história do gênio Mozart, dirigido por Milos Forman, há um personagem, o famoso maestro Salieri (interpretado lindamente por F. Murray Abraham), ele diz mais ou menos o seguinte: “Oh Deus! Por que me destes o poder de distinguir o belo e não o de produzir o belo?”
Salieri também era muito bom, mas não era um gênio como Mozart, mas ele podia enxergar a genialidade de Mozart e isso o exasperava, ainda que só ele visse as qualidades com clareza suficiente. Mozart foi considerado em seu tempo, como a maior parte dos grandes artistas de que temos notícia, um estranho, um maluco.
Ao contrário de Salieri, me sinto muito feliz por conseguir separar o joio do trigo. É gratificante, é como ter um pequeno dom. Nem sempre dá certo, oras, somos todos humanos.
Além do mais não temos muita clareza sobre o quanto algo é bom, ou se estamos certos ou errados, só sabemos que gostamos e que vemos algo que é ao mesmo tempo novo e belo em lugares pouco prováveis, então passamos a admirar sem nos preocupar muito com onde isso vai dar... A graça é que não estamos preocupados com isso, só estamos seguindo os nossos instintos...
Estamos indo atrás daquilo que amamos.
A edição de setembro da festa Bang! foi sensacional...
Blood Shake destruiu com um set pesado para ninguém botar defeito, como gostamos de dizer “eles desceram a lenha”.
Fizeram um set super bem humorado, cheio de anos 90, maximal e o famoso funk sempre presente nas apresentações da dupla. Laka e Zero destruíram mais uma vez e não é por acaso que a partir da próxima edição a festa ocupará todo o Vegas, não mais apenas o basement, se bem que eu desconfio que do basement eu não saio por nada... Afinal, é onde Zero e Laka tocarão.
Tenho encontro marcado com a dupla logo menos, já que eles são os convidados super especiais para edição de outubro da It’s alive, a festa que já começou como um sucesso e segue os passos da famosa festa Crew da promoter e dj Lalai. Tem tudo para ser, se já não é, uma das melhores festa da cidade.
Muito bom saber que tem tanta gente boa fazendo música de maneira independente. Gosto de pensar que nós consumimos o que a maioria não consome, quando digo “nós”, me refiro ao tantos, que como eu, admiram o trabalho independente, gostam de como ele é feito e principalmente de como é divulgado.
Sabemos que tudo é bom e que um dia passa a ser produzido em escala comercial teve um início bem modesto. Às vezes é só a coragem de alguém muito capaz, mas que ainda desconhece sua capacidade, de criar, de colocar uma série de pensamentos em prática. Alguém em um quarto qualquer em um cantinho da cidade, seja na Zona Leste, ou onde quer que seja, um indivíduo com uma idéia na cabeça se senta e busca meios de colocar seus pensamentos em ação.
É assim que nasce a maioria das grandes ideias, da vontade de uma pessoa.
Essa talvez seja a aptidão mais interessante do ser humano, a capacidade que tem de produzir e mudar o mundo à sua volta com pequenos feitos.
De início, somos tachados de estranhos. Somos os fulanos que curtimos um som diferente, num inferninho, apreciamos aquilo que pouca gente sabe que existe, então saímos do inferninho e partimos para os grandes lugares, aqueles de projeção nacional, muitas vezes mundial. Então, já não somos estranhos, passamos a ser apenas mais um. Somos mais um a gostar daquilo que todos gostam.
Acho muito engraçado o fato de que justamente nessa etapa, quando finalmente chega o reconhecimento, perdemos o interesse...
Sabe por que perdemos o interesse?
Porque nós sempre soubemos que aquilo era bom, nós víamos além. Ficamos felizes pela descoberta do resto do mundo, torcemos pelos nossos queridos que alçam vôos maiores, mas quando aquilo que amamos torna-se um produto a ser consumido por muitos, torna-se pasteurizado, nós simplesmente procuramos algo novo para amar...
Somos conhecidos como estranhos, nerds, descolados, geeks, undergrounds, alternativos... Procuram vários rótulos para nos intitular, mas a verdade é que não temos rótulo, nós somos apreciadores daquilo que é novo, daquilo que guarda a fagulha de coisa mágica, daquilo que mostrar que o ser humano é capaz de se sobressair mesmo dentro de um sistema que o sufoca.
Lembro agora do termo utilizado por Ezra Pound, o artista era para ele “a antena da raça”, ele era fascista, por isso falava nestes termos, mas mesmo estando equivocado, como a história provou, ele sabia sobre o que estava falando quando o assunto era arte.
E eu adoro pensar que eu, juntamente com meus amigos “diferentes”, podemos reconhecer estas anteninhas por aí...
Em um filme maravilhoso, Amadeus, que conta a trágica história do gênio Mozart, dirigido por Milos Forman, há um personagem, o famoso maestro Salieri (interpretado lindamente por F. Murray Abraham), ele diz mais ou menos o seguinte: “Oh Deus! Por que me destes o poder de distinguir o belo e não o de produzir o belo?”
Salieri também era muito bom, mas não era um gênio como Mozart, mas ele podia enxergar a genialidade de Mozart e isso o exasperava, ainda que só ele visse as qualidades com clareza suficiente. Mozart foi considerado em seu tempo, como a maior parte dos grandes artistas de que temos notícia, um estranho, um maluco.
Ao contrário de Salieri, me sinto muito feliz por conseguir separar o joio do trigo. É gratificante, é como ter um pequeno dom. Nem sempre dá certo, oras, somos todos humanos.
Além do mais não temos muita clareza sobre o quanto algo é bom, ou se estamos certos ou errados, só sabemos que gostamos e que vemos algo que é ao mesmo tempo novo e belo em lugares pouco prováveis, então passamos a admirar sem nos preocupar muito com onde isso vai dar... A graça é que não estamos preocupados com isso, só estamos seguindo os nossos instintos...
Estamos indo atrás daquilo que amamos.
domingo, 20 de setembro de 2009
Besteira...
Engraçado como a maior parte das coisas que consideramos importantes são bobagens. A noite mal dormida por causa da preocupação com algo no serviço, o medo de ir mal no trabalho da faculdade, o pavor de errar no look para determinadas ocasiões, o constrangimento injustificável de se dizer a coisa errada, as comparações bobas que fazemos com algumas pessoas.
No final, dá tudo certo não é? Como na música... “Don’t worry, be happy”
A única coisa que importa é a liberdade não é? Ser livre, estar livre, sem amarras...
Entendo que para alguns conforto é prender-se. Eu não sou assim, não posso ser...
Venho aprendendo dia após dia a como não me preocupar, tem dado certo. Estou tão mais feliz, minha vida tem sido tão boa, tão cheia de momentos agradáveis...
Às vezes a gente erra.
Nessa semana, perdoei do fundo do coração alguém que me magoou profundamente, uma situação estranha com gente me maltratando fez eu me lembrar de como é ruim ser maltratado, xingado, então eu perdoei... Não da boca para fora, de verdade.
Passei por situações difíceis suficientes para saber que de toda situação, por mais negativa que seja, tiramos algo de positivo para nossas vidas... Foi pensando assim que consegui me tornar o ser humano que eu sou.
Enfim, a gente erra muito para aprender as coisas. Cada um tem seu modo de pensar não é?
O inferno para mim pode ser a felicidade do outro, que bom que a vida é assim, pois dessa maneira há possibilidade de todos sermos felizes...
Sabe, eu gosto de Deus... eu acredito nessa força superior que rege o universo. Mas eu aprendi, também vivendo, que corajoso mesmo é aquele que é bom assim de graça, sem o medo do castigo divino, ou do olhar de algum ser superior.
Só que, pela minha cartilha, não há certo ou errado... Todos podemos tudo. O único limite entre o que é certo e errado é quando ignoramos a condição humana do outro, desprezando, humilhando, ridicularizando... Tudo isso é besteira.
Gente fina, como dizem, não liga para o que os outros falam, apenas vive e vai passando, deixando que os outros fiquem para trás ou sigam consigo.
Só somos seres humanos melhores depois de muitas coisas sofridas.
O que importa de verdade na vida são as pessoas que amamos, o “bom dia” dos entes queridos, o olhar amoroso daqueles que nos admiram, as lembranças boas daqueles que partiram, ir a uma exposição e ficar feliz porque a arte vence a morte, ouvir uma boa música e lembrar que nada é por acaso, que tudo no universo está em círculo... São essas coisas que importam, o resto? O resto é bobagem.
Por falar em arte, essa semana fui à abertura da exposição Virada Russa, que trouxe quadros de Kandínski, Maliévitch, Chagall, entre outros, do Museu Estatal de São Petersburgo. Entre os mais famosos, estão o Círculo e o Quadrado Negro, além da Cruz Negra de Maliévitch.
Dei a sorte, graças ao meu amigo querido Felipe, de ir na abertura oficial, da qual participara apenas convidados. Tomei um monte de Stolitchnaia, saboreei alguns pratos típicos, mas me deliciei de verdade foi com a belíssima exposição, tão bem organizada pelo curador Rodolfo de Athayde. As obras ficaram expostas de maneira bastante coerente com os movimentos de vanguarda russos... Uma felicidade que essa exposição tenha vindo até nós, já que nem todos podemos ir até a Rússia.
Quem puder ir e tiver interesse na maravilhosa arte russa, a exposição fica até 15 de novembro no Centro Cultural Banco do Brasil, um casarão lindo bem pertinho do Pátio do Colégio. Eu devo voltar lá quantas vezes me forem possíveis... Tão mágico saber que Maliévitch e tantos outros sobrevivem através da arte que criaram... Foi um dia muito feliz, mesmo. Encontramos com a Elke Maravilha que é uma graça... muito simpática.
Na semana anterior, eu fui a uma noite de autógrafos, o professor Luis Mauro de Sá Martino lançou oficialmente seu livro Teoria da Comunicação. Uma simpatia o professor, quem quiser se divertir com as sacadas inteligentes dele é só acessar: alquimiadoverbo.zip.net
Já falei sobre Schiller aqui, certeza que sim, eu devo falar dele o tempo todo...
Então, aquilo que ele dizia sobre a arte, ele tem razão... Para mim, 100% de razão.
Pena que seja tão difícil ser plenamente feliz em um mundo tão desigual.
Já ia me esquecendo... Minha revista preferida, a Caros Amigos, publicou minha carta...
Resumindo, tive uma semana maravilhosa, que fechou com chave de ouro com coxinha do BH às quatro da madruga e café da manhã reforçado no Athenas... A-do-ro!
Flaviuska
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